mercoledì, gennaio 21, 2009

aos escritores

Os homens deslizam suas navalhas de letras

Rasgando o sentido prometido

Custando a abandonar o etéreo

E sentir-se só

Agarra-se o homem ao sabido

Já descrente do que em seu peito convive

Com sede de desacordo supremo

Com o que supuseram de si.


O homem se debate com o espírito

E o maior mistério o habita

Tão só e tão acompanhado

Tem um ao outro na vida

Perpetuando um tipo de ser

Completamente fundado

Numa eterna pergunta fadado

A responder.

venerdì, gennaio 16, 2009

Só quero escrever se for pra falar da vassoura.
Da porta, da água na torneira.
Só se for pra falar do chão concreto, do telhado, do paralelepípedo, do carro.
Só escrevo pra falar da briga e desse incompreensível que é o amor.
Mas não esse amor cortês; um amor que tem cheiro e que quase parece que não existe, como são os verdadeiros.
Só se for pra escrever da conta não paga e do choro por tudo o que não é feito.
Da revista, da festa, da novela e da notícia.
Só escrevo se a linha conseguir ser maior que o cotidiano. Só se a tinta conseguir ir além do que como.
Só então me entrego ás vassouras.
Mas às vassouras, só escrevo sobre vassouras.

martedì, gennaio 06, 2009

Quando a vida ainda pequena

Puxou minha saia

Demasiada grande vida farta vibra

Eu espectador, eu viva

Por onde vai?


Se o chão for forte e duro

caminharão sobre pétalas (pés de asas)

Se a vida for

bem-vinda.

Como ninho na árvore feito
passarinho em sua mão.

sabato, ottobre 04, 2008

Adélia Prado


Então me ensina.

Me ensina como eu mantenho minhas mãos

E os olhos sempre verdes de natureza em reflexo

Me diz como mantenho o coração fixo, vermelho, sangue, vivo

Aceso como as luzes das noites

Como eu mantenho essa doçura com cada vento

E cada dia que acordo

Eu, que sou puxada pelas asas por todos os companheiros

Mãe, tia, avó, irmão, amor

Todo mundo que me constrói e que construo

Eu, que outrora achei que a vida podia ser só

Descubro que sou porque somos

E que só são porque me digo eu

Me diz então, como sustento os olhos

Limpos diante da vida

Que me arrasta pro cimento, pro chão

Como sustento então

Todo esse amor que em mim aviva.


A letra impressa, os lares quentes

Aquela sensação no domingo de manhã


Então me ensina

A nunca mais deixar de ser santa.

domenica, settembre 21, 2008

Eu, quando andei pra frente, era dia escuro

E assim ficou por muitos dias

Os olhos cresciam, esbugalhavam-se

E eu morria de morte lenta e fria

Aquela morte que não passa de manhã

Na verdade de manhã ela acorda

Fui morrendo durante os dias

Moribunda pelas ruas, já não havia

Até a hora que parti

E fiquei eu, sozinha

Nessa morte todinha, só sobrou eu

Vivinha.

lunedì, agosto 11, 2008

Amor

Eu só queria te dizer que cada curva de encontro do meu ser contigo faz clarear a alma:

sou luz resplandecida de clareza e gratidão.

venerdì, agosto 01, 2008



Quando a vida vai se tornando imperativa em ser dita
se abandona ao seu movimento mais secular:
palavras que dançam na ponta da língua
pairando, cortando o ar
para fazer do mundo mundo
dizendo todas as coisas
entrando nos musgos
a palavra entra na madeira, carne, ferro, sombra
entrecorta os mais sérios
distende os divertidos
inverte o que sente
mente no flerte
e inverte o sentido.

Com a palavra sou filha e pai
dona de mim, dona do mundo
quando mudo disfarce de si
força a palavra do mundo
e nada mais é somente em mim
a escrita corre por entre os dedos
pelas pernas se enrosca
se enraíza, finca na terra
e cresce infinita
por tudo que nasce,
a palavra não morre,
não nasce,
ela é o princípio de tudo,
a dona do mundo e das quimeras
a palavra sorrateira, escassa, plena
essa mulher vaidosa e obstinada
que teima em entrar nas minhas veias.

martedì, luglio 22, 2008

Mas tudo em mim é segredo

Verso do avesso

Quando cá me procuro é dentro

E depois me acho

Palavras duras de verso do que vejo

Nas luvas e na luz matinal, quando escrevo.

domenica, luglio 13, 2008



Eu também tinha falado de uma vida inominável

Fiquei sem palavras quando me dei conta do afago:

A vida é uma mão de pétalas suave no rosto

E alguns espinhos na perna.

Vívida como só ela

E eu com minha engrenagem

A minha linguagem eterna

Que perdura nos homens e na terra

Como a maior e única verdade.